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ÚLCERAS EXISTENCIAIS
É público que não agüento mais aquele vírus que fica mandando e-mails com nome de seriado da Sony (Your Document, Your Details, Patched). Como se não bastasse, o endereço meu_pe_dormiu@(provedor).com.br foi um dos que hoje me contemplaram com esta porcaria.
Meu duodeno agoniza.
Escrito por Vives às 21h17
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SEM RIDÍCULO NÃO HÁ TANGO
Certa vez houve, aqui mesmo, uma Grande Exposição de Gado. Quando o júri anunciou os vencedores, foi uma apoteose. Eu, garotinho dos meus seis, sete anos, estava lá. Era a época em que todas as crianças se vestiam à marinheira. Não há como descrever o impacto da vaca premiada. Do seu beiço pendia a baba elástica do narcisismo.
Eu temo pelo romancista, ou cientista, ou bacteriologista brasileiro que receba, um dia, o seguinte telegrama: "Ganhaste o prêmio Nobel. (a) Academia Sueca". Podemos imaginar a cena. O Gênio nacional está em sua casa vendo televisão e, possivelmente, o Chacrinha. A seus pés está uma bacia de pipocas. O caçula põe o dedinho no nariz. E, súbito, batem à porta. É o telegrama. E o Gênio Brasileiro sabe que ganhou o prêmio Nobel. Pode tombar, cravejado de brilhantes. Mas vamos admitir que sobreviva. Instantaneamente estão alteradas todas as suas relações com o Universo. Ele vai reagir exatamente como a vaca premiada. Vejam agora o Gênio, em plena academia, recebendo o prêmio Nobel das mãos do próprio rei. Das duas uma: ou sai de maca, ou sai de rabecão.
Nelson Rodrigues, em O Remador de Ben Hur (O Globo, 2/4/1969). Coletânea de Ruy Castro.
Eu amo esse cara.
Escrito por Vives às 14h56
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SOBRENATURAL DE ALMEIDA NÃO ERA NADA
Ontem cheguei em casa cansado e, enquanto bebericava meu Scotch jundiaiense e petiscava meu caviar de sardinha, resolvi me entreter com as notícias da imprensa fundamental tupiniquim. Em outras palavras, fui ler a (mais uma) matéria de capa da Veja sobre fonte da juventude.
Mas sou um pluralista, e resolvi ler a CartaCapital pra saber o que certos carcamanos descontes andam ruminando por aí. E - pasmem! - li algo que mudou a minha vida: o filho bastardo de Fernando Collor de Mello se chama James Fernando.
A matéria em si era meia boca feita por um jornalista menor, mas...ó Têmpora, ó Móres! Como eu nunca pensei nisso antes? James Fernando!!!? Melhor que isso só o repórter da Folha que se chama Odersides Almeida. James Fernando é o nome mais elegante que já existiu desde que Deus chamou Adão de Adão e sua costela de Eva. Fico imaginando a mãe do guri chamando o dito cujo pra tomar banho: "James Fernando!? Já para casa, James Fernando!" Quando eu tiver um filho, um cachorro ou um office-boy ele certamente se chamará James Fernando Vives - ainda que o filho seja bastardo, o cachorro seja um chiwawa e o office-boy seja o Felipe Corizza.
Por que não? Quincas Borba tinha um cachorro chamado Quincas Borba. Foi título de um livro e, portanto, mais importante que seu dono homônimo (não que a posteridade faça esta justiça com o Corizza, que nunca passará de um figurante de propaganda de Coristina B) .É bem verdade que eu já tive um office-boy, Estêvão Bertoni de Lima, um apedeuta que abandonou o serviço pelo simples motivo de não receber salário. Enfim, um sujeito sem princípios e sem amor pela arte de servir o próximo.
Que seja dito: ainda terei um filho chamado James Fernando. Se não der pra garçom, cantor brega ou jornalista, ainda lhe caberá o consolo de se chamar James Fernando.
Escrito por Vives às 15h44
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A NOSTALGIA É MÃE DA INIQÜIDADE
Quando tinha cinco anos, minha mãe colocou o dedo no meu umbigo pra fazer cócegas. Disse que não deixasse ninguém fazer isso, pois se desatarraxassem o umbigo a bunda cairia.
Alguns anos mais tarde descobri que o umbigo não tem relação alguma com a retaguarda. E foi a partir deste momento que perdi a crença na religião, na política, nas diretrizes econômicas e nas faculdades de jornalismo.
O umbigo como parafuso da bunda foi minha primeira virgindade.
Escrito por Vives às 13h42
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ALEGRIA DE PALHAÇO É VER O CIRCO PEGAR FOGO
Agora vai:
HOSPITAL JUNDIAIENSE REFORÇA SEGURANÇA PARA RECEBER MARADONA
Acamparei em frente ao hospital para gritar o tempo inteiro:
"E, E, E, MARADONA VAI MORRER!
Ou então fazer carreira de farinha de trigo na frente da janela dele, só pra dar aquela estiga no gordinho sacripanta.
Escrito por Vives às 13h38
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